Fado e toiradas sempre andaram de braço dado, é um facto. Esse espectáculo foi no finalzinho do Verão do ano passado, numa praça de toiros, onde o único sangue que jorrou (garanto!) foi esse que o fado faz espichar às veias. Amo esse fado de paixão. Atente na fibra da letra, Meu Bem: genial. Chama-se ‘Foi na Travessa da Palha‘ e é exemplar de uma certa tradição mais marialva, que é apenas uma das muitas linhagens que o fado tem. Mais picadinho nos trinados da guitarra, mais gingão, mais atrevido e de faca na liga. A voz é da Diamantina: graaaaande!… Não faz parte do universo comercial com direito a disco gravado e promoção de editora. Faz mais o género do circuito das casas de fado, onde se canta ao vivo, madrugada fora. Eu gosto assim: sabe a pedras da rua por afagar. Diamante bruto e brutal, a Diamantina, linda de tão igual às cantadeiras do beco, de tão igual às portuguesas com cabelo cor de asa de corvo. E atente no cavalo, Meu Bem. Atente também. Atente bem. É um Cavalo Lusitano, um puríssimo puro sangue lusitano… a graça da raça está toda nos cascos dançantes desse alasão. Todinha!… Portugal inteiro na voz de uma mulher, no lombo de um puro sangue lusitano.
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