Cabaret-Maxime.

 

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O Maxime já foi ‘cabaret’ de luxo – por lá passaram o Rei de Espanha e elementos das grandes famílias portuguesas. Nos últimos tempos esteve entregue ao submundo da prostituição. Agora volta a agitar as noites lisboetas pela mão de Manuel João Vieira.

 

Um espaço com mais de meio século de história para contar, inaugurado na cauda dos anos 40 como «cabaret» de luxo, local de festa e ócio da burguesia e demais intelectuais e artistas da época. O seu nome foi inspirado no extinto «cabaret» Maxim’s, localizado no actual Palácio Foz, a ditar o ritmo das noites lisboetas dos anos 20. O «Diário de Lisboa» chegou a descrevê-lo: «Um clube à noite é a síntese da vida moderna: a confusão, o delírio e às três horas da madrugada – a cocaína!» Longe dessas memórias e dos tempos dourados dos anos 50, o Maxime esteve nos últimos anos mal amanhado.

(…) Foi idealizado para ser um «aparthotel» . A zona do «cabaret» seria o lóbi desse projecto que nunca chegou a ser posto em prática. (…) Nessa época o Maxime era de facto «o grande acontecimento na noite de Lisboa». A palavra «show» não existia, porque o termo «variedades» chegava para o consumo interno. Recentemente inaugurado, o botequim soava a luxo, com dois palcos para duas orquestras que alternadamente abrilhantavam o baile entre as 22h e as 5h da manhã. Baile, esse, que era interrompido por dois espectáculos, um à 1h da manhã e outro às 3h. O esquema era o mesmo nos outros «cabarets» da cidade: o Moroco e o Fontória, também na Praça da Alegria, o Ritz, na Rua da Glória, O Cristal, na Avenida da Liberdade perto do Parque Mayer, ou o Olímpia (o sempre em festa) na Rua do Condes. Em todos eles, o estilo das «variedades» pouco mudava: um ilusionista foleirote, um ou outro cantor já em fim de estação, por vezes um artista de circo, uma atracção com um nome mais sonante para estimular o pessoal e as inefáveis espanholas que cantavam ou dançavam e que ali chegavam sempre com as suas gordas ‘madres’ que, enquanto faziam variados crochés, não tiravam os olhos das suas ‘niñas’». Já nessa altura, a maioria acumulava o seu baile ou canto com funções de alterne, ou seja, pousavam nas mesas dos clientes para os levar a beber, enquanto elas simulavam que o faziam, aproveitando a distracção do cliente.

in Site Oficial

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