No tropel que os meus dias são, há uma coisa que me perturba acima de todas as outras. Uma coisa que me aflige e assusta antes de qualquer outra. Sempre tanta gente, tanta agitação, tantas vozes remultiplicadas, sobrepostas, amontoando-se em ordens, pedidos, socorros, urgências, demandas, ansiedades, expectativas, pedindo comandos da esquerda e da direita, clamando por directrizes e decisões à frente e atrás, lançando propostas, apressando respostas, contra-propostas, contra respostas, esgrimindo argumentos, chamando, chamando, chamando…Tenho medo de ensurdecer e já não conseguir ouvir o silêncio.
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