Dilúvio na manhã escura

Chove torrencialmente lá fora. Impossível apagar as luzes da madrugada à casa. São quase oito da manhã, mas continua tudo escuro, como se o dia não fosse nascer nunca mais para levantar este breu. Agora mesmo, fui forçada a fechar a última janela aberta porque a chuva entra batida a sopros, sem nenhuma cerimónia. Estou preocupada. No Inverno passado surgiram infiltrações. A água começou a aparecer do lado de dentro da casa. Aproveitava os veios da madeira, formava gotas que iam engrossando até rebentar em fios que depois faziam leito pelas grossas vigas de madeira a baixo, descendo perigosamente justo na direcção dos CD e aparelhagens que ficam sob o esconso do tecto. Depois a chuva foi embora. Foi cedo, esse ano. Para se ter uma ideia, estou a fazer praia regularmente desde o meio de Fevereiro!… E, então, com o despontar do tempo soalheiro e seco, deixei para trás a Estação das àguas e esqueci-me da chuva e dos demais sobressaltos. Apesar do Verão ter sido brando, ainda na semana passada Setembro ia cheio de fulgor. Nada fazia prever a entrada abrupta de um Outono enxaguado. Preciso urgentemente de verificar o telhado, as caleiras e os algeirozes. Urgentemente!…

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